Sunday, September 10, 2006

Mickey e Minnie


- Pensei que querias gostar de mim.
- Que queres dizer com isso?
- Isso mesmo. Pensei, ou gostava de pensar, que estavas a gostar de mim e nos darias uma oportunidade.
- Não te estou a perceber.
- Também já não gosto de ti.
A chamada caiu, como que por conveniência. Para ambos. Não havia mais nada a dizer. Ele ficou parado durante muito tempo a olhar para o telefone. Talvez tocasse. E se ela ligasse tudo estaria bem de novo. Do outro lado ela também olhava o telefone, imóvel.
Os seus corpos falavam de desejo e saudade. Os seus pensamentos trocavam segredos nunca confessados.
Gostavam um do outro, precisavam ambos de se sentirem amados e ambos tinham muito para dar.
Ele levantou o telefone. Beeeeeeeee, beep beep beep beep. Não lhe podia ligar. Ela não ligava. Ele não percebia se ela também não podia ligar ou se já não queria. Talvez se voltassem a ver.
Ele pensava que a vida era como as histórias dos livros aos quadradinhos. Estava sempre feliz porque acreditava.
Ela deixara-se marcar pela arte da vida. Tinha mais medo de largar, agarrar e acreditar.
Mickey e Minnie viveram felizes para sempre.
The end.

Gonçalo Cunha de Sá

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